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Usar ou não o fone de ouvido para gravar?

Atualizado: 23 de fev. de 2023

Este é um assunto controverso, pois não há regra, acaba sendo mais uma questão de preferência. Eu particularmente não não usava o fone de jeito nenhum, eu preferia ouvir a minha voz naturalmente para ter noção do que estava fazendo.

Hoje em dia eu utilizo o fone para 99% das gravações. As exceções ocorrem quando preciso apenas gravar uma palavra ou outra, às vezes até um pequena frase que eu já sei o tom e é coisa bem rápida, mas do resto, só com fone e eu vou explicar o porquê desta mudança.


Essa preferência de não utilizar o fone no início, eu atribuo à minha insegurança de iniciante. Sim! insegurança, pois eu conhecia minha voz, suas nuances, modulação e queria ouvir isso naturalmente como as pessoas ouviriam depois de gravado. Entenda que este é a minha opinião, a minha explicação para eu não utilizar ok?

Conheço pessoas que já são profissionais e ainda não usam pois preferem ainda ouvir a voz natural. Então não tem uma regra clara.


Por outro lado, com o tempo, eu comecei a notar a necessidade e as vantagens de se utilizar o fone de ouvido durante a gravação e vou listá-las a seguir:

  • Clipar: Para quem não conhece o termo, é um efeito que ocorre quando excedemos o volume máximo captado da fonte sonora gravada, neste caso a nossa voz, e acaba "estourando". A interface, que no caso recebe o sinal, provoca um corte deste sinal pois este atingiu o maior volume possível (0dB FS)* e o que você vai ouvir na gravação depois é um ou vários estalos muito desagradáveis e difíceis de se corrigir na maioria das vezes; até é possível em alguns casos, mas em geral, causa a perda daquele pequeno trecho de sinal, que apesar de serem apenas alguns milissegundos, já podem estragar seu material e necessitar que seja regravado. Agora imagine você gravar um material inteiro e perceber somente na edição que seu sinal clipou. Você terá que voltar no microfone, encontrar a entonação e energia que gravou aquele momento e fazer novamente. Já se estiver utilizando o fone, você ouvirá o estalo na hora que ocorrer e conseguirá fazer a correção na hora. Considerando que você tem um homestudio simples, você não dispõe de equipamentos como um limiter que tratará esta clipagem e evitará que o efeito indesejado seja gravado. Estes equipamentos podem um hardware conectado antes de sua interface ou um plugin posicionado na entrada do sinal como é possível em algumas interfaces como nas da Universal Audio.

  • Pronúncia: Este caso ocorre com certa frequência comigo e é devido a certos vícios de pronúncia que ainda tenho que corrigir. Ele ocorre com mais frequência em palavras terminadas com a sílaba "to". Por exemplo uma frase terminada com a palavra "feito". Muitas vezes quando se está envolvido com o texto e até com certa pressa inconsciente em fazer o texto, a letra "o" final não é pronunciada ficando algo como "feits". É difícil escrever o som que é gravado, mas é como se fosse pronunciado um leve sopro no lugar do "o". Se você está lendo isso neste momento, deve estar tentando pronunciar a tal palavra para reproduzir o som e deve ter chegado no problema que estou apontando. No dia a dia, isso ocorre sem percebermos, mas quando você ouve um material com esse som, nem sempre é agradável, pode não soar profissional dependendo do estilo. Se estiver usando o fone, ele vai ressaltar esse som e facilitar sua percepção para a correção enquanto a pronúncia correta não for natural.

  • Fluxo de trabalho: Há certos materiais, principalmente os que necessitam de sincronismo com um vídeo com imagens sequenciais, textos na tela ou até mesmo lip synch com uma pessoa falando, que tenho que ouvir a fonte antes ou durante a gravação e isso só é possível com o fone, pois duvido que você irá tocar o som em um celular ou em uma caixa dentro do seu espaço de gravação e deixar que isso vaze e seja captado também pelo mic. Caso você faça a edição dentro do mesmo espaço que faz a gravação, provavelmente você utilizará o fone, pois isso permite que você já vá fazendo certos acertos durante o processo de gravação.

  • Ruídos: Este não deveria ser um motivo se o seu sistema está bem isolado e com bons cabos, conexões e equipamentos, mas vou listar algumas situações ocorreram e que se não fosse o fone, eu teria perdido um bom tempo refazendo o material.

- Ruído da interface: Eu tenho uma Focusrite e a escolhi na época, pois dentre

as que atendiam ao meu orçamento, era um equipamento que dispunha de

um dos melhores pré-amplificadores além de ser muito silenciosa. Ocorre

que algumas vezes eu percebia que quando estava em silêncio dentro da

cabina, pouco antes da gravação ou até durante em algumas pausas, eu ouvia

um som que parecia um vendo leve pegando no mic. Custou muito até

descobrir que era a fonte da minha interface. Atualmente só uso ela com a

alimentação vinda da conexão com o computador, mas se não fosse o fone,

aquele leve ruído, que às vezes resolvia aumentar do nada, teria me dado

uma dor de cabeça danada para corrigir ou regravar. Ah! Ele não era tão

pronunciado, mas chegava aos -48dB e me incomodava bastante.

- Ruídos externos: Por mais que minha cabine é bem isolada para ruídos

normais, há momentos que um carro mais barulhendo passa na rua, ou um

avião de testes da Embraer passa na região, ou até o vizinho consertando

algo ao lado podem ser captados pelo mic. Sem o fone é possível ouví-los

nitidamente, mas com o fone, você consegue avaliar o quanto realmente

estão  sendo captados, isso ocorre pois o padrão do mic (supercardioid,

cardiod, etc) não capta sons vindos de certas direções do mic.

  • Direção: Este caso é óbvio, pois se estiver recebendo a direção de um produtor ou diretor, você vai precisar ouví-lo e aí o fone é necessário.

  • Dublagem: Da mesma forma que com a Direção, você vai precisar ouvir o que está sendo passado do material original assim como a orientação do diretor e do técnico para executar o trabalho.

Estas são algumas razões que me levaram a passar a utilizar o fone durante a gravação. Acho bastante importantes de serem considerados.


Agora, para você que já conhece este assunto, que vou falar vai parecer óbvio, mas não é qualquer fone de ouvido que você pode utilizar enquanto grava. Escolha um fone que seja fechado ou como é classificado no termo em inglês: closed back. Este tipo de fone, não deixa que o som sendo transmitido pelos autofalantes vazem para fora do fone e sejam captados pelo mic. Isso ocorrerá apenas se sua fonte sonora estiver muito alta. Outro fator importante é escolher um fone que seja confortável caso vá passar muito tempo usando um. Eu utilizo um AKG K44 que não é muito caro e atende perfeitamente ao serviço.


*0dB FS. É importante você conhecer esses termos. FS significa Full Scale. Isso indica uma escala de volume ampla na qual o 0dB (zero decibel) indica o maior volume possível de ser obtido. Os programas de gravação (DAW) mostram estes valores em forma de VU com LEDs que usam as cores verde, amarelo e vermelho, sendo que o sinal deve estar entre a escala verde e amarela. Particularmente eu gravo com o sinal em média a -12 dBFS. Quando se atinge o vermelho e há a clipagem, você notará que um último LED ficará vermelho permanente, indicando que houve clipagem. Isso pode mudar de um programa para outro, mas em geral é o que se encontra.


Espero que tenha ajudado e procure encontrar a melhor e mais confortável forma de você desenvolver seu tralho. Uma forma que não vai te incomodar de dar seu melhor e ser criativo, mas acima de tudo, esteja aberto a mudar de estratégia se assim as condições se mostrarem melhores.


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