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  • Eduardo

Minha voz muda ao longo do dia, e agora?!!

Atualizado: Nov 15

Bom, estamos tratando do corpo humano e este, por natureza se comporta diferentemente em diferentes horários do dia. A pressão é diferente quando dormimos e durante o dia e muda também ao longo do dia; o seu metabolismo também se altera ao longo do dia; a voz não é diferente, pela manhã ela tende a ser mais grave pela manhã e chega ao que deve ser o seu normal um pouco mais tarde.


A propósito, se ainda não leu, dê uma olhada em meu outro artigo que fala de ruídos de boca, pois você pode achar interessante também.


Porém, neste artigo, eu vou passar a minha experiência e acredito que ela possa ajudá-lo(a) e, quem sabe, identificar o que pode estar acontecendo contigo e alertá-lo(a) para buscar um especialista ou até mudar alguns hábitos.


Comigo a coisa era a seguinte: Eu sempre preferi fazer minhas gravações pela manhã, pois acho que é quando minha voz é melhor. O meu critério para dizer que é melhor pela manhã, é porque ela era forte, grave e eu conseguia modula-la facilmente. O problema é que lá pelas 10hr da manhã, eu começava a notar um decaimento desta qualidade. Ela não era mais tão grave, eu não conseguia modulá-la tanto, surgia um pigarro mais persistente e aí isso influenciava na minha interpretação. Curioso né? Não deveria afetar a interpretação, pois a interpretação não tem nada a ver com a qualidade da voz, mas afetava, psicologicamente eu me deixava influenciar por esse fator e aí a coisa acontecia.


Bom, este era o problema e o que eu fiz nestes quase dois a três anos?


Primeiramente eu tentava me convencer de que não era um problema sério e por isso estiquei até decidir procurar os especialistas. Eu cheguei a gravar o mesmo texto pela manhã e depois à tarde e mostra para duas fonoaudiólogas especializadas em voz para ter um laudo e elas disseram que não tinha diferença. Por isso, tentei me convencer de que não era um problema e tinha que focar na interpretação.


Eu havia conversado com uma fono com a qual tive diversas sessões voltadas à locução e por isso me ajudou muito no começo de carreira e até hoje somos amigos, a doutora Izabel Viola, e ela já tinha me alertado sobre o refluxo, então consegui com a otorrino um exame de estroboscopia, no qual o médico insere o tubo com uma câmera mediante a aplicação de um anestésico local e grava suas cordas vocais enquanto você produz alguns sons. Bem este exame não mostrou nada de problema sério, apenas uma leve irritação provocada por algum refluxo, mas nada sério. Por conta disso, deixei pra lá.


Passou o tempo e voltei a me incomodar com o problema, pois afinal eu não poderia gravar os trabalhos apenas na parte da manhã e me convencer de que o problema não existia não estava funcionando. Então fui em uma otorrino que finalmente encontrou, durante um exame de Laringoscopia, pequenos sinais da bendita irritação na região ao redor das cordas vocais, o que indicava um possível refluxo. Só para que saibam, este exame consiste na inserção de um laringoscópio, que é um tubo que permite ver a garganta e os países baixos..rs. Segundo essa doutora, ela até percebeu um pequeno refluxo durante o exame, o que é raro, o que me convenceu de que deveria prosseguir com a investigação.


Em seguida então marquei um Gatro e contei toda minha história triste novamente e ele me recomendou fazer alguns exames: manometria e phmetria.

Bom, o exame de phmetria mede a quantidade de ácido que o estômago manda para o esôfago durante o período de 24 horas. Isso mesmo, você fica com um aparelho durante um dia inteiro do qual sai um pequeno tubo com sensores que entra pelo nariz e desce por todo o seu esôfago até próximo do estômago. Já o de manometria, mede a pressão dos esfíncteres do esôfago em repouso e durante a ingestão da saliva. De forma simples, ele mede se estas pequenas válvulas que existem em nosso esôfago estão fazendo seu papel corretamente.

Resultado disso é que a pressão estava legal e os refluxos, os quais são comuns até certa quantidade em nosso corpo, não mostravam nada fora do normal. Então segue a saga.


Bom, nesse meio tempo, eu fui e voltei na Otorrino algumas vezes e ela receitou alguns medicamentos como spray nasal para umidificar as vias aéreas, e outro medicamento para minimizar a irritação quando eu percebesse que estava afetando muito minha voz.


A questão é que a minha história ficava cada vez mais longa por conta das consultas e dos tratamentos e a voz.... bom continuava na mesma.


Inclinei a cama, trocando os pés e deixando a cabeceira mais alta o que evita, pela gravidade, que qualquer líquido vindo do estômago atingisse a laringe. Minha esposa aceitou de boa, pois ela tinha sentido alguns episódios de refluxo e assim está até hoje.


Não contente e ainda com o problema, voltei no Gastro e como resultado desta consulta, marquei uma Endoscopia. Essa já foi mais pesada!! Nela o médico insere um tubo pela sua garganta que vai até o estômago e tira diversas fotos. Lógico que você toma um remedinho pra ficar balão e dorme durante todo o processo. É um sono gostoso e você volta falando um monte de coisas que não lembra depois. Aliás é um bom momento para a esposa fazer um breve interrogatório e mexer no seu celular, então cuidado! ...rs.

O resultado é que definitivamente eu não tinha nada de anormal.


Com isso me convenci de que o refluxo, mesmo tendo um pouco, não era a causa do problema que eu perseguia, mas aí vem as orientações adicionais como perder um pouco de peso, pois a gordura abdominal pressiona o estômago e pode sim causar refluxos esporádicos. Alimentação mais saudável e etc.


Minha historinha ia crescendo cada vez mais e marquei uma Alergologista, que muitos chama de Alergista. A médica pediu exames de sangue e aquele exame no qual você recebe diversas gotinhas e picadinhas no braço com substâncias que podem causar alguma reação no corpo. Resultado, uma pequena reação a ácaros o que não poderia estar causando o meu problema na garganta.


Eu já não ingeria leite já faz tempo, apenas alguns derivados, como queijo, que não consegui largar 100%, mas o exame não mostrou alergia a lactose de qualquer forma.


Depois disso tudo, eu tentei novamente me convencer de que não tinha nenhum problema sério e tinha que continuar trabalhando. E pra falar a verdade, tinha dias que a voz estava realmente boa durante o dia inteiro, mas sem explicação.


Passado o tempo eu comecei a fazer aulas de canto até que um dia o professor comentou do meu pigarro, tipo: “ Eita pigarrinho danado!” Bom, isso foi a deixa para eu contar a minha longa historinha da saga pela voz perfeita, ou que eu achava que era perfeita.


Tive que ouvir o que eu já pressentia, mas ouvi de um especialista em voz: “Talvez essa voz que você não gosta, seja a sua voz mais normal e a da manhã é a alterada”, pois é, isso não me deixou muito feliz não, mas recebi como um comentário construtivo.


No entanto, durante as aulas alguns alertas foram vindo desse cara e profissional fantástico, o Davi Barbosa (davibarbosavoz). Atenção a alguns alimentos como leite, café e pão e também a correta hidratação. Ele me contou a experiência dele, mas de imediato eu não dei muita atenção, pois café eu ingeria apenas uma xícara pela manhã e pão a mesma coisa. Como essa pequena quantidade iria me causar o que estava acontecendo, mesmo não tendo alergia. Até que um dia, já cansado do tal problema, eu resolvi seguir as suas recomendações.


Parei de tomar a xícara de café pela manhã e substituí por chá. Parei de comer pão francês e passei a ingerir apenas torradas. Eu sei que ainda é pão, mas as chances daquilo fermentar e causar algum problema, seriam pequenas e não ingerir nada de carboidrato no café estava um pouco difícil. Os derivados de leite ainda mantive, mas nunca ingeri pela manhã e o fazia ocasionalmente.


Quanto à hidratação, que é a coisa mais fundamental para o organismo funcionar, eu achava que ingeria água o suficiente. Eu andava com uma garrafinha de 600 ml até dentro da cabine, mas depois que comecei a prestar atenção, notei que eu a enchia uma vez durante o dia. Isso é muito abaixo do que se deve ingerir normalmente que deve ser acima de dois litros. Substitui a garrafinha por uma de refrigerante de 1,5 litros que fica do meu lado o tempo todo. Eu a monitoro constantemente e sei que à tarde tenho que enchê-la novamente e consumir pelo menos a metade até ir dormir.


Resultado, percebi uma melhora sensível no pigarro e na qualidade da voz ao longo do dia. Comecei a poder gravar meus trabalhos na parte da tarde sem grande diferença na voz.

Outra recomendação dele foi a de melhorar a dieta e perder peso, algo que já sabia, mas hesitava em seguir, mas que passei a fazer uma dieta mais balanceada com fibras e passei a fazer exercícios físicos.


Resumo da ópera: Esta pequena saga me mostrou que mesmo você tendo um organismo saudável até certo ponto, não significa que ele não possa reagir a certas condições e alimentos que causam mudanças, mesmo que sutis, no organismo. Neste caso, estas mudanças afetavam minha ferramenta de trabalho, A voz!


Conclusão:

Se você está passando por algo similar, use esta história longa e chata para te sensibilizar e siga meus passos de trás pra frente. Procure manter uma vida mais saudável, composta de exercícios físicos e alimentação balanceada. Corte alguns itens de sua dieta, começando pelos que mencionei acima, e veja o que causam em seu organismo.


Se o problema persistir, busque um especialista. Não vou dizer qual a ordem da especialidade a procurar, pois não sou da área médica, mas recomendo que visite um clínico que possa avaliar sua laringe e a região ao redor das cordas vocais primeiramente. A irritação na laringe, que pode causar a produção de secreção para proteção da região, não é o único problema que pode ocorrer, há nódulos nas cordas vocais e outros problemas que precisam ser investigados e que têm tratamento.


Espero que este relato possa trazer alguma reflexão para você e se você não segue nada disso e sua voz é perfeita, excelente, mas saiba que o organismo é uma máquina e máquinas sofrem com o tempo e passam a apresentar “defeitos” que nunca tiveram.


Boa sorte!

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